
Suponho que os meus pais estejam até agora na mais total ignorância em relação a estes assuntos. Há 38 anos atrás havia muita coisa considerada normal. E eu, nunca por nunca haveria de contar que fulanos me bateram hoje, ontem, anteontem, antes de anteontem. E nunca haveria de contar que o professor nos punha de joelhos com as mãos por debaixo destes, com as palmas para cima e as costas assentes em grãos de milho.
E os tempos eram outros. Não eram?
Mas as coisas agora já não são vistas assim. Talvez porque não é normal, porque não pode ser considerado normal, porque é abjecto, porque é um abuso continuado, que retira a vontade de viver a uma criança.
E a cultura da morte já não é tão sagrada.